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quinta-feira, 12 de março de 2026

Foi no carnaval


 Era uma vez um jovem chamado Pedro, de apenas 15 anos, que junto com quatro amigos decidiu viver a aventura do primeiro carnaval longe de casa. O destino era Iracema, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, onde a tia de um dos rapazes os receberia. A viagem seria de trem, seis horas cortando paisagens, estações e cidades que pareciam acenar para aquele grupo cheio de expectativa.

Antes de qualquer plano, pediram permissão aos pais. Para a alegria de todos, a resposta foi sim. Durante meses organizaram cada detalhe: passagens compradas, mochilas separadas, promessas feitas. No trem, entre risadas e sonhos, surgiu uma aposta: quem não beijasse ninguém durante o carnaval pagaria todas as despesas da volta. Pedro entrou na brincadeira sem pensar muito. No fundo, nunca tinha ficado com ninguém. Gostava mesmo era de se divertir, beber um pouco e curtir os amigos.

Quando o trem chegou a Iracema, a animação tomou conta. A estação estava cheia de jovens. O carnaval prometia. Foram direto para a casa da tia, que, ao invés de deixá-los acampados no quintal, preparou um quarto para eles. De malas guardadas, partiram para o famoso bar Barbante, ponto de encontro da juventude local.

Os dias passaram em meio a música, risadas, banhos rápidos, sopa quentinha antes do baile e noites intensas no clube da cidade. Os amigos de Pedro cumpriam seus objetivos com facilidade: paqueravam, beijavam, colecionavam histórias. Pedro, porém, mantinha-se fiel ao seu propósito inicial: beber, rir e aproveitar o momento. A aposta ficou esquecida… até o último dia.

— Pedro, você lembra da aposta? — disse um dos amigos. — Se não ficar com ninguém hoje, amanhã você paga tudo no trem.

O desespero bateu. O dinheiro era pouco, mas pior seria ouvir as piadas pelo resto da vida. Naquela noite, Pedro decidiu não beber. Pela primeira vez, estava sóbrio em meio àquela multidão.

Foi então que a viu. Uma menina de sorriso sereno e olhar firme. Não queria ficar com qualquer pessoa apenas para ganhar a aposta. Precisava sentir algo. Pediu ajuda ao amigo, que foi falar com ela.

A resposta veio como surpresa:

— Finalmente! Desde o primeiro dia achei ele bonito, mas ele só queria saber de beber.

Pedro criou coragem. Aproximou-se.

— Qual é o seu nome?

Ana.

Saíram para conversar do lado de fora do salão. Entre confissões e risadas, perceberam algo estranho e familiar ao mesmo tempo. Como se não fosse o primeiro encontro, mas um reencontro. Quando se abraçaram e se beijaram, o mundo pareceu silenciar. Não era apenas a aposta. Era diferente.

Na manhã seguinte, na estação, Ana estava lá para se despedir.

— Parece que foi um reencontro de eternidade — ela disse.

— Eu senti o mesmo — respondeu Pedro, com os olhos marejados. — Quem sabe a vida nos cruza de novo.

O trem partiu. O carnaval terminou. A rotina voltou.

Anos se passaram. Pedro cresceu, entrou na faculdade, formou-se. Mas, vez ou outra, pensava em Ana. Como ela estaria?

O destino, silencioso e paciente, preparava outro encontro.

Na festa de formatura de Pedro, ele avistou uma mulher que lhe parecia familiar. Quando os olhares se cruzaram:

— Você não é o Pedro?

— Sou… Ana?

Era ela. Prima de uma das formandas. O tempo havia passado, mas a sensação era a mesma. Conversaram, relembraram o carnaval, riram da aposta. Naquela mesma noite, Pedro pediu Ana em namoro.

Namoraram três anos. Casaram-se. Tiveram três filhos.

E sempre contavam aos filhos que a vida é feita de encontros, mas também de reencontros. Que nem tudo acontece no tempo que queremos. Que às vezes é preciso perder um momento para entender o valor dele. E que quando algo é verdadeiro, o destino encontra um jeito de cruzar os caminhos outra vez.

Assim, Pedro aprendeu que aquele carnaval em Iracema não foi apenas uma viagem. Foi o início de uma história escrita muito antes de ele perceber.

E viveram felizes, não porque tudo foi perfeito, mas porque souberam reconhecer quando a vida lhes deu uma segunda chance.


sábado, 6 de setembro de 2025

Uma aula diferente


Naquela manhã ensolarada, a escola parecia ter se transformado. O sol entrava pelas janelas largas e iluminava a sala com um brilho quente e acolhedor. As cadeiras estavam dispostas em círculo, fugindo do padrão rígido das fileiras. No quadro-negro, em vez de contas e lições de português, havia uma frase escrita com giz branco:

“Cada passo conta uma história.”

A professora, com voz calma e firme, explicou a dinâmica: um jogo de perguntas e respostas, mas com um caminho invisível. “A cada resposta ‘sim’ vocês darão um passo à frente. Mas lembrem-se: ninguém pode olhar para trás. O exercício é sobre perceber as distâncias sem virar os olhos.”

Os pais e filhos alinharam-se no ponto de partida. Havia risadas nervosas, cochichos curiosos, mãos pequenas entrelaçadas nas grandes, e corações que batiam em ritmos diferentes.

Entre eles, um pai de mãos fortes, marcadas pelo tempo e pelo trabalho, e seu filho, cheio de energia, ansioso pelo desafio. O menino sorria, sem imaginar que aquela manhã mudaria a forma como olhava para o próprio pai.

A professora deu início:

— Quem sempre teve televisão em casa?

O menino avançou, rápido. O pai permaneceu.

— Quem sempre teve um par de tênis novo quando o anterior ainda servia?

Mais um passo do garoto, os olhos brilhando de lembranças fáceis. O pai continuou imóvel.

— Quem sempre ganhou brinquedos no aniversário?

O menino avançou de novo, sem esforço. Os pés do pai, firmes no mesmo ponto, começavam a carregar um peso silencioso.

As perguntas seguiram, sempre ligadas a confortos do dia a dia: refeições em restaurantes, férias em família, quartos individuais, cadernos novos a cada ano. A cada resposta, o filho caminhava com passos leves, quase dançantes, enquanto o pai permanecia como uma rocha, imóvel, guardando dentro de si histórias que não precisavam ser ditas.

Até que a professora mudou o tom da voz e lançou uma pergunta diferente, carregada de outra textura:

— Quem precisou trabalhar quando criança para ajudar os pais?

O menino, pela primeira vez, ficou parado. A dúvida em seus olhos era inocente, quase ingênua. Mas o pai, com uma respiração profunda, levantou o pé e deu um passo à frente. Foi um passo solitário. Pesado. Cheio de silêncio.

A professora parou o exercício por um instante. A sala ficou mergulhada numa quietude densa.

— Notem, disse ela, suavemente 

— Este foi o primeiro passo do pai.

O silêncio foi maior que qualquer palavra. O menino, quebrando a regra do jogo, não resistiu: virou-se. Quando seus olhos encontraram o pai, notou a distância entre eles. Mas não era uma distância qualquer  era feita de renúncias, de calos, de noites mal dormidas. Era a distância de alguém que havia aberto caminho para que os pés do filho fossem mais leves.

As lágrimas subiram antes mesmo que ele percebesse. Sem pensar, o garoto correu de volta. O exercício já não fazia sentido algum. Envolveu o pai num abraço apertado, quase desesperado, como se quisesse preencher de uma vez só todos os passos que haviam os separado naquele breve percurso.

O pai, surpreso, sentiu o calor pequeno e verdadeiro daquele abraço e fechou os olhos. Em silêncio, retribuiu, com as mãos calejadas pousadas nas costas do filho.

A professora observava com ternura. Muitos na sala já estavam com os olhos marejados. Ali não havia vencedores ou perdedores, apenas o aprendizado invisível de uma lição que não cabia em livros.

O menino, chorando, sussurrou no ouvido do pai:

— Pai, eu só consegui andar porque você andou primeiro.

O homem respirou fundo, segurando as lágrimas que também queriam escapar. Apertou o filho mais forte e respondeu, com a voz embargada:

— E eu só consegui porque pensava em você, mesmo antes de você existir.

Naquele instante, o jogo terminou. A distância já não importava. O que valia era o caminho percorrido, um caminho cheio de durezas e sacrifícios de um lado, e de sonhos realizados do outro.

E, naquela sala de aula, todos aprenderam que às vezes não é preciso dar muitos passos para compreender o verdadeiro valor de quem caminha ao nosso lado.

E assim, neste dia, uma lição foi ensinada.

A vida não dá ré. Olhe para frente. Siga sua caminhada, mas nunca se esqueça dos que vieram antes para te mostrar a direção.

Muitas vezes reclamamos que não temos isso ou aquilo, mas esquecemos que tudo na vida tem valor.

Valor que se encontra nos calos, nas histórias, nas renúncias silenciosas. Valor que se revela no abraço sincero entre um pai e um filho, quando ambos entendem que cada passo  leve ou pesado, carrega em si a essência do amor.


quinta-feira, 17 de abril de 2025

O moedor de paçoca e a páscoa

 Está época de páscoa e este moedor me fazem lembrar da minha avó Docarmo. Ela pedia para a gente moer amendoim para fazer paçoca. Era uma festa. Não lembro com tristeza ou saudade e sim com alegria e amor pois eram momentos em família que nós reuníamos para fazer o que a páscoa prioriza: família, partilha, renovação e amor. Obrigado por todos os ensinamentos. Que Deus em nome de Jesus fortaleça estes laços em todas as famílias 



quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Cachoeira

 Um certo dia eu cheguei nesta cachoeira para simplesmente tirar uma foto.     Depois de uma caminhada onde eu estava começando o meu processo de emagrecimento para ter uma vida mais saudável. Não sabia que aquela pequena parada seria uma mudança radical na minha vida. Eu sempre gostei de cachoeira mas não tinha muito contato com este meio. Ao postar a foto recebi vários comentários dizendo que lugar lindo, que paz. 

Porém um comentário me deixou feliz e me deu força para continuar o meu processo. 

Dizia mais ou menos assim: Nossa que lugar lindo, adorei. Saiba que você ficou muito bem nesta paisagem. Quero conhecer.

Achei legal e fiquei com aquilo na cabeça. Hoje, depois de alguns anos, estou tirando uma nova foto apenas da cachoeira sem aparecer. Simplesmente porque sinto que deveria agradecer a Deus pela beleza deste lugar que me transformou. Não procure motivos para mudar e se transformar, apenas acredite em você e siga em frente. Minha transformação foi interna e externa. Sou perfeito!!!! Não, não sou. Mas me sinto melhor.  

Obrigado a você que me integrou a esta natureza com um simples gesto e uma singela frase. Sem perceber, você mudou a minha vida. 

Por isto, não seja uma pessoa que em tudo que olha vê defeitos. Simplesmente contemple a foto que o outro postou e veja o melhor dela. Se você não tem o que falar, fica em silêncio. Pois um simples comentário pode mudar para melhor ou para pior o que uma pessoa sente. 

Para finalizar vou escrever uma frase que li no face. Não sei de quem é, mas diz tudo que escrevi. 

Seja um incentivador de pessoas, o mundo já tem críticos demais.


quinta-feira, 16 de junho de 2022

Sonho ou plano.



Como já dizia o samba: "Sonhar não custa nada e o meu sonho é tão real".

No dia a dia ou nas suas orações, quando for fazer um pedido ou falar alguma coisa, tente evitar a palavra SONHO e diga no lugar dela PLANO.

Para o nosso cérebro, SONHO é algo distante ou fruto da imaginação. Mas, quando falamos PLANO, passa a ser mais palpável.

Exemplo: "Meu sonho é ter um iate". 

                "Meu plano é comprar um barco cujo orçamento esteja de acordo com as minhas possibilidades". 

Viram a diferença? 

Assim você vai ter uma meta, trabalhar mais para que seu orçamento faça com que ela se realize. 

Tenha objetivos em sua vida e acredite neles; assim, irá realizar todas as suas metas. 

Agora, se quer apenas sonhar e assim ser feliz, sonhe, sonhe e sonhe. 

Termino com esta frase de Luciana Seluque:

"Sonhar é preciso. Planejar é fundamental. Executar é vital"!


Caio Marcio

             

domingo, 12 de junho de 2022

Enamorado


Aprendi que, para poder amar ou gostar de alguém, temos que estar apaixonados por nós mesmos. 

Não adianta falar que ama ou é apaixonado por uma pessoa se você não se ama. Só damos o que temos. Se não tem ou não sabe amar, como vai transmitir amor? 

O amor se demonstra através de carinho, respeito, dedicação, companheirismo, parceria, cumplicidade, ceder, doar e por aí vai. 

Aprendi com meus pais que amar é saber respeitar as diferenças e estar lado a lado em todos os momentos.

Então, não fale que ama em vão; demonstre.

"A medida do amor é amar sem medida" (Santo Agostinho)


Caio Marcio


sexta-feira, 3 de junho de 2022

Ser, ter ou estar amigo.


Por esses dias,  eu estava passando na rua onde morei durante a minha infância e juventude. Encontrei um amigo que estava passando ali para almoçar na casa de sua mãe. Paramos, nos cumprimentamos e lembramos de muitas coisas de nossa época ali. Conversamos por uns cinco minutos e nos despedimos. 

Isto é amizade; não importa o tempo que não nos víamos ou falávamos um com o outro. Foram cinco minutos inteiros, verdadeiros. 

Uma amizade verdadeira, não precisa estar junto o tempo todo. 

Sobre o título deste texto: Amigo precisa ser e não estar. Ter amigos todos falam que têm, mas poucos sabem dar o devido valor. 

Neste mundo digital em que vivemos, quem só vê seus closes, não vê sua correria. Amigos digitais somem da mesma forma e rapidez que aparecem. Amigos verdadeiros permanecem e sabem que muitas vezes o que você posta não é a realidade de sua vida. 

Uma pessoa muito especial sempre me fala: “Amigos eu tenho poucos, o que eu tenho muito são conhecidos íntimos”. 

Quem me conhece há muito tempo já me ouviu falar: “Conhecemos o valor da felicidade quando a temos, e de um amigo quando o perdemos”. 

Então, não deixe para dar valor a um amigo quando perder; mostre o seu valor hoje.


Caio Marcio Chaves