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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A vida simples

Hoje quando fui tomar meu café, me deparei como uma cena que me deixou muito feliz e pensativo. 

Eu peguei meu café e sentei em um banco do outro lado da padaria que fica de frente para uma corredeira que vem da cachoeira. 

Estava ouvindo barulho de crianças rindo e felizes. Mas não sabia de onde. Aí ao olhar para o lado, vi um homem vindo com um saco de pão careca ou para alguns pão de cachorro quente, creio que estava com mortadela, um refrigerante de laranja de dois litros e copos de plástico. Ao chamar as crianças, subiram do meio do mato que dá para a corredeira duas meninas super felizes e quando viram o lanche começaram a gritar: Oba, que delicia. 

Os três se sentaram em uma mesinha e começaram a lanchar. 

Neste momento passou várias coisas pela minha cabeça e fiquei muito feliz em contemplar aquele momento de confraternização. 

Aí veio em meus pensamentos que muitas vezes não precisamos de muita coisa para fazer alguém feliz e sim de amor e momentos. 

Não estou dizendo que ter dinheiro não é bom. Pelo contrário ter dinheiro ajuda muito a ter tudo e principalmente uma vida melhor. 

Nesta quarentena tenho ouvido muitas palestras no YouTube e estou aprendendo e vendo muitas coisas de forma diferente. 

Neste caso específico que estou relatando, do que adiantaria se este pai tivesse todo dinheiro do mundo e comprasse suco, pão de queijo, presunto, queijo e não sentasse com teus filhos para saborear este momento. 

Tenho assistido uma palestra com um cara que fala sobre teu sucesso e crescimento tanto pessoal como financeiro. Evandro Guedes. 

Em uma de suas palestras, uma pessoa lhe fez a seguinte pergunta.

Evandro muitas vezes as pessoas vivem para ganhar dinheiro e esquecem do restante. Então muitas vezes é melhor ter menos e viver mais. Não é?

Ele respondeu da seguinte forma: Meu amigo ter dinheiro é muito bom e trabalhamos para isto. O dinheiro não molda ninguém. Quem muda depois que ganha dinheiro, simplesmente não mudou. Continua a ser a mesma pessoa. Se você pode trabalhar para ter e ganhar muito dinheiro para ajudar a tua família a ter uma vida digna e ter tudo que você sempre sonhou, mérito teu. Muitos vão te condenar por isto e outros vão te aplaudir. Se você é uma boa pessoa e sempre ajudou e pensa nos outros, vai continuar a pensar assim, mas se sempre foi mal humorado e pão duro, não vai ser o dinheiro que você vai ganhar que vai te mudar. 

Então ali eu vi bem o que tenho aprendido nas palestras. Este pai deu as filhas o que podia, mas principalmente deu amor. Cada um dá o que pode, mas se dá com coração é uma coisa. Porém se dá por obrigação, não será recebida com alegria ou agradecimento. 

Seja feliz com o que tem, mas sempre querendo mais é mais. 

Evandro Guedes fala sempre: Pensar grande ou pensar pequeno dá o mesmo trabalho.

Veja como um pequeno e simples ato de amor e relacionamento faz com que paremos e refletimos na vida.

Você pode ser simples e amar a tua família e amigos. Não precisa ter rios de dinheiro ou ser infeliz por isto. Se você quer ter uma vida melhor e ganhar muito dinheiro, lute por isto, corra atrás dos seus sonhos, estude se transforme e cresça. Agora se você está feliz do jeito que é e não quer lutar para ter mais do que tem, não fale de quem está lutando ou não fale de quem esta feliz por estar onde está. 

Viva a tua vida e não tenha  inveja dos que têm mais que você. 

Apenas siga tua vida sem perder teus princípios e valores e principalmente respeite todas as diferenças. 

Obrigado pelo belo exemplo que me fez pensar. 

Não te conheço e talvez nunca mais vou ver. Mas um simples ato de amor e família me fizeram crescer mais um pouco como Ser Humano. 

Caio Márcio Ferraz Chaves

quinta-feira, 12 de março de 2026

Foi no carnaval


 Era uma vez um jovem chamado Pedro, de apenas 15 anos, que junto com quatro amigos decidiu viver a aventura do primeiro carnaval longe de casa. O destino era Iracema, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, onde a tia de um dos rapazes os receberia. A viagem seria de trem, seis horas cortando paisagens, estações e cidades que pareciam acenar para aquele grupo cheio de expectativa.

Antes de qualquer plano, pediram permissão aos pais. Para a alegria de todos, a resposta foi sim. Durante meses organizaram cada detalhe: passagens compradas, mochilas separadas, promessas feitas. No trem, entre risadas e sonhos, surgiu uma aposta: quem não beijasse ninguém durante o carnaval pagaria todas as despesas da volta. Pedro entrou na brincadeira sem pensar muito. No fundo, nunca tinha ficado com ninguém. Gostava mesmo era de se divertir, beber um pouco e curtir os amigos.

Quando o trem chegou a Iracema, a animação tomou conta. A estação estava cheia de jovens. O carnaval prometia. Foram direto para a casa da tia, que, ao invés de deixá-los acampados no quintal, preparou um quarto para eles. De malas guardadas, partiram para o famoso bar Barbante, ponto de encontro da juventude local.

Os dias passaram em meio a música, risadas, banhos rápidos, sopa quentinha antes do baile e noites intensas no clube da cidade. Os amigos de Pedro cumpriam seus objetivos com facilidade: paqueravam, beijavam, colecionavam histórias. Pedro, porém, mantinha-se fiel ao seu propósito inicial: beber, rir e aproveitar o momento. A aposta ficou esquecida… até o último dia.

— Pedro, você lembra da aposta? — disse um dos amigos. — Se não ficar com ninguém hoje, amanhã você paga tudo no trem.

O desespero bateu. O dinheiro era pouco, mas pior seria ouvir as piadas pelo resto da vida. Naquela noite, Pedro decidiu não beber. Pela primeira vez, estava sóbrio em meio àquela multidão.

Foi então que a viu. Uma menina de sorriso sereno e olhar firme. Não queria ficar com qualquer pessoa apenas para ganhar a aposta. Precisava sentir algo. Pediu ajuda ao amigo, que foi falar com ela.

A resposta veio como surpresa:

— Finalmente! Desde o primeiro dia achei ele bonito, mas ele só queria saber de beber.

Pedro criou coragem. Aproximou-se.

— Qual é o seu nome?

— Ana.

Saíram para conversar do lado de fora do salão. Entre confissões e risadas, perceberam algo estranho e familiar ao mesmo tempo. Como se não fosse o primeiro encontro, mas um reencontro. Quando se abraçaram e se beijaram, o mundo pareceu silenciar. Não era apenas a aposta. Era diferente.

Na manhã seguinte, na estação, Ana estava lá para se despedir.

— Parece que foi um reencontro de eternidade — ela disse.

— Eu senti o mesmo — respondeu Pedro, com os olhos marejados. — Quem sabe a vida nos cruza de novo.

O trem partiu. O carnaval terminou. A rotina voltou.

Anos se passaram. Pedro cresceu, entrou na faculdade, formou-se. Mas, vez ou outra, pensava em Ana. Como ela estaria?

O destino, silencioso e paciente, preparava outro encontro.

Na festa de formatura de Pedro, ele avistou uma mulher que lhe parecia familiar. Quando os olhares se cruzaram:

— Você não é o Pedro?

— Sou… Ana?

Era ela. Prima de uma das formandas. O tempo havia passado, mas a sensação era a mesma. Conversaram, relembraram o carnaval, riram da aposta. Naquela mesma noite, Pedro pediu Ana em namoro.

Namoraram três anos. Casaram-se. Tiveram três filhos.

E sempre contavam aos filhos que a vida é feita de encontros, mas também de reencontros. Que nem tudo acontece no tempo que queremos. Que às vezes é preciso perder um momento para entender o valor dele. E que quando algo é verdadeiro, o destino encontra um jeito de cruzar os caminhos outra vez.

Assim, Pedro aprendeu que aquele carnaval em Iracema não foi apenas uma viagem. Foi o início de uma história escrita muito antes de ele perceber.

E viveram felizes, não porque tudo foi perfeito, mas porque souberam reconhecer quando a vida lhes deu uma segunda chance.